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O óleo de coco é bom para todo mundo?

Updated: Mar 1, 2022

O óleo de coco tem sido consumido muito nos últimos anos, e tem conquistado a simpatia de muita gente, especialmente na forma de óleo MCT ou TMC. Na cozinha de muita gente, tornou-se indispensável. É também bastante utilizado em cosméticos, hidratantes de pele e em outros produtos.

Mas como todo produto que é largamente utilizado e veiculado na mídia como um produto que pode ser usado por todos, surge a pergunta: o óleo de coco é para todo mundo?


Para responder esta pergunta, vamos mergulhar nos fatos sobre o óleo de coc.


O óleo de coco é um produto feito a partir da polpa do coco ou do seu caroço. É principalmente composto de gorduras saturadas (mas que são boas para a nossa saúde, salvo algumas condições que explico mais abaixo), com o seu teor total de gordura sendo composto por vários ácidos graxos saturados, que são chamados de triglicerídeos de cadeia média (MCT ou TCM).


O que são os MCT ou TCM, e quais os seus benefícios?


Os MCT ou TCM (triglicerídeos de cadeia média) são os componentes do óleo de coco, e são uma fonte de energia muito eficiente para o nosso corpo. Estes ácidos graxos conseguem entrar rapidamente na corrente sanguínea do nosso corpo, podendo ser absorvidos de forma fácil e rápida até por pessoas que não tem vesícula biliar. Isso acontece porque o óleo de coco, pela sua composição, não exige que os sais biliares sejam absorvidos no intestino delgado (permitindo então que os sejam absorvidos e digeridos com facilidade).


Os MCTs ainda:

  • Reduzem a produção de várias citocinas pró-inflamatórias, reduzindo assim a inflamação

  • Aumentam a atividade da DAO (enzima diamina oxidase, que ajuda na degradação de histamina)

  • Aumenta a produção de muco no intestino (que é necessária para saúde da barreira intestinal)

  • Ajuda a “cicatrizar” a barreira intestinal (restaura as proteínas da junção estreita reduzindo assim a permeabilidade intestinal, aumentando a taxa de renovação celular no intestino)

  • Aumentam a secreção de anticorpos IgA no intestino que é um importante marcador de um sistema imunológico forte (a deficiência de IgA secretora está ligada ao aumento do risco de doença autoimune).

  • Ajuda a promover a perda de peso

  • Não produzem metabólitos que promovem a resistência a insulina


Outras propriedades do coco, incluindo o seu óleo


O óleo de coco ainda tem propriedades antibacterianas, inibindo o crescimento do C. difficile, Streptococcus e Candida.

A manteiga de coco quando feita com o seu óleo com um pouco da polpa de coco) tem os seguintes nutrientes:


  • Vitamina E, C, B1, B2, B3, B5, B6, B9

  • Fitoesteróis e polifenóis

  • Minerais como manganês, cobre, ferro, selênio, cálcio, magnésio, fósforo, potássio, zinco (em menor grau)


A polpa do coco é também uma ótima fonte de fibra, porque contém bastante fibra de inulina: uma fibra solúvel altamente fermentável que as bactérias benéficas em nosso intestino adoram e precisam para viver e se replicar.


Mas se o óleo de coco é gordura saturada, não faz mal para o coração?


Pois é, o que a maioria das pessoas acredita é que se o óleo de coco é rico em gorduras saturadas, deve fazer mal para a saúde do coração. A verdade é que existem vários tipos de gordura saturada, mas o óleo de coco em particular tem propriedades benéficas à saude.


Um estudo de 2016 realizado em pacientes com doença arterial coronariana, que teve duração de dois anos, avaliou o impacto do uso de óleo de coco ou óleo de girassol como óleo de cozinha primário - e mostrou que o óleo de coco não teve nenhum efeito no colesterol sérico, na função vascular e nem no número de eventos cardiovasculares relatados em comparação com os controles.

Neste artigo de 2018, adultos saudáveis de 50 a 75 anos foram aleatoriamente escolhidos para consumir 50 gramas diariamente de óleo de coco extra virgem, azeite extra virgem ou manteiga sem sal por 4 semanas em adição às suas rotinas alimentares normais. Os resultados mostraram que o óleo de coco aumentou significativamente o colesterol HDL (bom), não houve diferenças no LDL em comparação com o azeite, e também não diferiu significativamente do azeite em termos da relação colesterol total para HDL ou não HDL.

Como podemos ver, não se pode "demonizar" as gorduras saturadas, porque nem todas são feitas iguais.


Então para quem o óleo de coco não é bom?


Ah! Agora chegamos finalmente ao ponto. Apesar de todos os benefícios que o óleo de coco oferece, sempre existirão pessoas que deverão moderar o seu consumo (como pessoas com o gene ApoE homozigoto - leia mais sobre isto aqui), e algumas pessoas que terão sensibilidade a fenóis (salicilatos e aminas).

As pessoas que têm o gene ApoE não precisam eliminar o óleo de coco, mas moderar seria uma boa recomendação. Um exame genético pode te falar se você tem este gene no seu corpo.


O óleo de coco, devido à sua constituição, é alto em salicilatos e aminas - e por isso pode causar reação e sintomas em pessoas que têm sensibilidade à estes compostos. Para entender quem pode ter sensibilidade ao óleo de coco, e como isso seria manifestado, vamos primeiro ver o que é a sensibilidade a salicilatos.

O que são salicilatos?

Os salicilatos são componentes encontrados em alimentos e em produtos químicos e remédios (como a aspirina e outros analgésicos) e também em cosméticos, produtos de limpeza, óleos essenciais e tudo que tem aroma e cheiro [1,2]. Nas plantas, os salicilatos atuam como um hormônio imunológico natural e conservante, protegendo as plantas contra doenças, insetos, fungos e infecções bacterianas.

Em grandes quantidades, os salicilatos são tóxicos para todo mundo, mas algumas pessoas terão sensibilidade aos fenóis em geral, especialmente ao entrar em contato com produtos com alta concentração de salicilato ou ao ingerir certos alimentos. As reações são as mais variadas, mas vão de sintomas gastrointestinais até respiratórios (como asma).

Alguns sintomas incluem:

  • Zumbido nos ouvidos [8]

  • Depressão e ansiedade

  • Coceira na pele, urticária ou erupções cutâneas

  • Dor de estômago, náusea e/ou diarreia

  • Asma e outros problemas respiratórios como congestão nasal ou sinusite

  • Dores de cabeça

  • Inchaço das mãos, pés, pálpebras, face e/ou lábios (angioedema)

  • Fadiga

  • Olhos doloridos, com coceira, inchados

  • Perda de memória e falta de concentração (ligada ao TDAH) [4]


A intolerância aos salicilatos parece estar ligada a distúrbios como a asma TDAH [4] e muitos distúrbios gastrointestinais, como Doença Inflamatória Intestinal, Colite e Doença de Crohn [6].


Então se você tem algum destes sintomas, mesmo sem ter as condições de saúde citadas acima, vale a pena observar se o consumo de óleo de coco pode estar te fazendo mal. Quando há sensibilidade, usar o óleo de coco na pele pode irritar a pele ou contribuir para coceiras ou urticária, portanto vale a pena ver se nos produtos de higiene pessoal o óleo aparece listado.


Qualquer pessoa sem estas condições pode e deve acrescentar o óleo de coco na sua rotina alimentar.


Importante:


  • É sempre bom moderar a ingestão de gorduras saturadas, o equilíbrio entre os alimentos é fundamental para a nossa boa saúde. Os alimentos trabalham sinergisticamente no nosso corpo, e não é bom ter muito de um tipo de alimento e poucos de outros.

  • Tente consumir sempre o óleo de coco extra virgem, não refinado, orgânico se possível, sem misturas de outros tipos de óleos.

  • Não existe um exame para diagnosticar a sensibilidade aos fenóis (salicilatos e aminas), mas existem vários marcadores laboratoriais, sintomas e outros fatores que ajudam na detecção desta sensibilidade. Se você desconfia que este é o caso, procure ajuda médica ou de um especialista que possa te auxiliar.


Se você quer mais informações sobre a sensibilidade aos fenóis, ou tem alguma dúvida, entre em contato comigo! Até breve!


Referências:

1. Fitzsimon M et al “Salicylate sensitivity in children reported to respond to salicylate exclusion.” Med J Aust. 1978 Dec 2;2(12):570-2.
2. Fernando SL and Clarke LR. “Salicylate intolerance: a masquerader of multiple adverse drug reactions” BMJ Case Rep. 2009;2009. pii: bcr02.2009.1602..
3. Raithel M et al “Significance of salicylate intolerance in diseases of the lower gastrointestinal tract” J Physiol Pharmacol. 2005 Sep;56 Suppl 5:89-102.
4. Perry CA et al “Health effects of salicylates in foods and drugs.” Nutr Rev. 1996 Aug;54(8):225-40.
5. Pearson DJ et al. “Proctocolitis induced by salicylate and associated with asthma and recurrent nasal polyps.” Br Med J (Clin Res Ed). 1983 Dec 3;287(6406):1675.
6. Sivagnanam P et al “Respiratory symptoms in patients with inflammatory bowel disease and the impact of dietary salicylates.” Dig Liver Dis. 2007 Mar;39(3):232-9. Epub 2006 Sep 18.
7. Kawane H. “Aspirin-induced asthma and artificial flavors.” Chest. 1994 Aug;106(2):654-5.
8. Wecker, H.; Laubert, A. (2004). “Reversible hearing loss in acute salicylate intoxication” (in German). HNO 52 (4): 347–51
9. Babu AS, Veluswamy SK, Arena R, Guazzi M, Lavie CJ. Virgin coconut oil and its potential cardioprotective effects. Postgrad Med. 2014 Nov;126(7):76-83. doi: 10.3810/pgm.2014.11.2835. Review.
10. Fernando WM, et al. The role of dietary coconut for the prevention and treatment of Alzheimer’s disease: potential mechanisms of action. Br J Nutr. 2015 Jul 14;114(1):1-14. doi: 10.1017/S0007114515001452. Epub 2015 May 22. Review.
11. Khaw KT, et a. Randomised trial of coconut oil, olive oil or butter on blood lipids and other cardiovascular risk factors in healthy men and women. BMJ Open. 2018 Mar 6;8(3):e020167. doi: 10.1136/bmjopen-2017-020167.
12. Kono H, et al. Medium-chain triglycerides enhance secretory IgA expression in rat intestine after administration of endotoxin. Am J Physiol Gastrointest Liver Physiol. 2004 Jun;286(6):G1081-9.
13. Rial SA, Karelis AD, Bergeron KF, Mounier C. Gut Microbiota and Metabolic Health: The Potential Beneficial Effects of a Medium Chain Triglyceride Diet in Obese Individuals. Nutrients. 2016 May 12;8(5). pii: E281. doi: 10.3390/nu8050281. Review.
14. Shilling M, et al. Antimicrobial effects of virgin coconut oil and its medium-chain fatty acids on Clostridium difficile. J Med Food. 2013 Dec;16(12):1079-85. doi: 10.1089/jmf.2012.0303.

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